História
da Logística
A
origem da palavra vem do grego “LOGISTIKOS”, do qual
o latim “LOGISTICUS” é derivado, ambos significando
cálculo e raciocínio no sentido matemático.
O desenvolvimento da logística
está intimamente ligada ao progresso das atividades
militares e das necessidades resultantes das guerras..
O exército persa foi o
primeiro a utilizar uma marinha em grande escala. Na
expedição de Xerxes de encontro aos gregos, em 481 a.C.,
foram utilizados mais de 3.000 navios de transporte
para sustentar o exército.
Uma das grandes lendas
na Logística, que inspirou outros grandes líderes como
Júlio César e Napoleão e que até hoje inspira as grandes
empresas, foi Alexandre o Grande, da Macedônia. Seu
império alcançou diversos países, incluindo a Grécia,
Pérsia e Índia. Nascido em 356 a.C., aos 16 anos já
era general do exército macedônico e aos 20 anos, com
a morte de seu pai, assumiu o trono. Seu império durou
apenas 13 anos, até a sua morte em 323 a.C., aos 33
anos. Seu sucesso não foi um acidente. Ele foi capaz
de superar os exércitos inimigos e expandir seu reinado
graças a fatores como:
·
Inclusão da logística em seu planejamento
estratégico
·
Detalhado conhecimento dos exércitos
inimigos, dos terrenos de batalha e dos períodos de
fortes intempéries.
·
Inovadora incorporação de novas tecnologias
de armamentos
·
Desenvolvimento de alianças
·
Manutenção de um simples ponto de controle.
Era ela quem centralizava todas as decisões; era o ponto
central de controle, gerenciando o sistema logístico
e incorporando-o ao plano estratégico.
Alexandre foi o primeiro
a empregar uma equipe especialmente treinada de engenheiros
e contramestres, além da cavalaria e infantaria. Esses
primitivos engenheiros desempenharam um papel importante
para o sucesso de Alexandre o Grande, pois tinham a
missão de estudar como reduzir a resistência das cidades
que seriam atacadas. Os contramestres, por sua vez,
operacionalizavam o melhor sistema logístico existente
naquela época. Eles seguiam à frente dos exércitos com
a missão de comprar todos os suprimentos necessários
e de montar armazéns avançados no trajeto. Aqueles que
cooperavam eram poupados e posteriormente recompensados;
aqueles que resistiam, eram assassinados. O exército
de Alexandre o Grande consumia diariamente cerca de
100 toneladas de alimentos e 300.000 litros de água!
O exército de 35.000 homens
de Alexandre o Grande não podia carregar mais do que
10 dias de suprimentos, mas mesmo assim, suas tropas
marcharam milhares de quilômetros, a uma média de 32
quilômetros por dia.
Seu exército percorreu 6.400 km, na marcha do
Egito à Pérsia e Índia, a marcha mais longa da história.
Outros exércitos se deslocavam a uma média de 16 ou
17 quilômetros por dia, pois dependiam do carro de boi,
que fazia o transporte dos alimentos. Um carro de boi
se deslocava a aproximadamente 3,5 quilômetros por hora,
durante 5 horas até que os animais se esgotassem. Cavalos
moviam-se a 6 ou 7 quilômetros por hora, durante 8 horas
por dia. Eram necessários 5 cavalos para transportar
a mesma carga que um carro de boi.
Também inovou nos armamentos.
Seus engenheiros desenvolveram um novo tipo de lança,
chamada sarissa,
que tinha 6 metros de comprimento, largamente utilizada
pela infantaria. Com esse armamento derrotou um exército
combinado de persas e gregos de 40.000 homens perdendo
apenas 110 soldados.
Em 333 a.C., seu exército derrotou um exército
de 160.000 homens comandados por Darius, rei da Pérsia,
na batalha de Amuq Plain. Devido a esse sucesso, a grande
maioria das cidades se rendeu ao exército macedônico
sem a necessidade do derramamento de sangue.
Assim, Alexandre o Grande
criou o mais móvel e mais rápido exército da época.
Em 218 a.C., o general
Aníbal inovou durante a Segunda Guerra Púnica entre
Cartago e Roma, utilizando elefantes para o transporte
de 60.000 homens e suprimentos na travessia dos Pirineus
em direção à Itália.
Apesar dos avanços verificados
no passado, apenas no século 17 a logística passou a
ser utilizada dentro dos modernos princípios militares.
Por volta de 1.670, um
conselheiro do Rei Luís XIV sugeriu a criação de uma
nova estrutura de suporte para solucionar os crescentes
problemas administrativos experimentados com o novo
exército desenvolvido a partir do caos medieval. Foi
criada a posição de “Marechal General de Logis”, cujo
título se originou do verbo francês “loger”,
que significar alojar. Entre seus deveres estavam a
responsabilidade pelo planejamento das marchas, seleção
dos campos e regulamentação do transporte e fornecimento.
O termo “LOGISTIQUE”,
depois traduzido para o inglês “LOGISTICS” foi desenvolvido
pelo principal teórico militar da primeira metade do
século XIX, o Barão Antoine Henri Jomini. Baseado em
suas experiências vividas em campanhas de guerra ao
lado de Napoleão, Jomini escreveu o “Sumário da Arte
da Guerra” em 1.836. Ele dividiu a arte da guerra em
5: estratégia, grandes táticas, logística, engenharia
e táticas menores, definindo logística como “a arte
de movimentar exércitos”. A logística não se limitava
apenas aos mecanismos de transporte, mas também ao suporte,
preparativos administrativos, reconhecimentos e inteligência
envolvidos na movimentação e sustentação das forças
militares.
Paralelamente a Jomini,
Karl Clausewitz’ s Vom Kriege publicou, postumamente,
em 1.831, a “Bíblia da Ciência Militar”. Brilhante em
seus escritos sobre estratégias e táticas, a sua obra
se tornou a grande referência em práticas e pensamentos
militares no final da primeira metade do século XIX.
A obra influenciou a grande maioria dos líderes militares.
Infelizmente, em sua obra, Vom Kriege ignorou a atividade
logística, fazendo com que o conceito de logística perdesse
o sentido militar que Jomini tinha desenvolvido. Essa
situação perdurou até meados do século XX, sendo resgatado
pelos militares americanos que fizeram uso da logística
no conflito bélico durante a Segunda Guerra Mundial.
Outros fatos relevantes
na história recente da Logística:
- 1.901 - A logística é examinada
pela primeira vez sob o prisma acadêmico no início
do século XX através de um artigo de John Crowell,
no artigo Report of the Industrial Commission on
the Distribution of Farm Products, tratando dos
custos e fatores que afetavam a distribuição dos produtos
agrícolas;
- 1.916 - Arch Shaw em seu
artigo An Approach to Business Problems aborda
os aspectos estratégicos da logística; no mesmo ano,
L.D.H. Weld introduziu os conceitos de utilidade de
marketing (momento, lugar, posse) e de canais de distribuição.
- 1.927 -
Ralph Borsodi, em sua obra The Distribution Age
define o termo logística conforme utilizado hoje.
- 1.941 -
1.945 - Com a 2ª Guerra Mundial a logística tem um
impulso em evolução e refinamento.
- Década de 50: as empresas
começam a enfatizar a satisfação do Cliente no lucro.
Serviço ao Cliente torna-se mais tarde a pedra fundamental
da administração da logística.
- 1.956 - artigo publicado
pela Harvard Business School introduz o conceito de
análise de custo total na área de logística.
- Início dos anos 60: a Michigan
State University e a The Ohio State University são
as primeiras faculdades a ministrar cursos de graduação
em Logística, devidamente reconhecidos pelo Governo
americano.
- 1.963 - Criado o National
Council of Physical Distribution Management, mais
tarde mudado para Council of Logistics Management,
primeira organização a congregar profissionais de
logística em todas as áreas com o propósito de educação
e treinamento.
- 1.976 - é publicado um estudo
do CLM identificando os componentes do custo de manutenção
dos estoques e apresentando uma metodologia para o
seu cálculo.
- 1.978 - a consultoria A
. T . Kearney e o CLM publicam estudo denominado Measuring
Productivity in Physical Distribution, a primeira
avaliação completa do estado da arte da atividade
de serviço ao Cliente nas empresas americanas.
- Anos
70 e 80: implementação de diversas técnicas em logística
como MRP, Kanban, JIT, etc., mostrando a eficácia
das práticas logísticas e a necessidade do relacionamento
entre Logística, Marketing, Produção e outras funções
empresariais.
- Década
80: grande aumento na utilização de computadores na
administração da logística
- Artigo
publicado por Graham Sharman, intitulado The Rediscovery
of Logistics aponta a necessidade de a alta administração
reconhecer a importância da administração logística.
- Década
90: formação de mercados globais (MCE, NAFTA, Mercosul,
etc.)
No Brasil, a história
da Logística é ainda muito recente, e podemos destacar
os seguintes fatos:
ANOS
70
• desconhecimento do termo e da abrangência
da logística;
• informática ainda era um mistério e
de domínio restrito;
• iniciativas no setor automobilístico,
principalmente nos setores de movimentação e armazenagem
de peças e componentes em função da complexidade de
um automóvel que envolvia mais de 20.000 diferentes
SKUs;
•
fora do segmento automobilístico, o
setor de energia elétrica definia normas para embalagem,
armazenagem e transporte de materiais;
• em 1.977 são criadas a ABAM - Associação
Brasileira de Administração de Materiais e a ABMM -
Associação Brasileira de Movimentação de Materiais,
que não se relacionavam e nada tinham de sinérgico;
• em 1.979 é criado o IMAM - Instituto
de Movimentação e Armazenagem de Materiais
ANOS 80
• em 1.980 surge o primeiro grupo de Estudos
de Logística, criando as primeiras definições e diretrizes
para diferenciar Transportes de Distribuição e de Logística;
• em 1.982 é trazido do Japão o primeiro
sistema moderno de logística integrada, o JIT - Just
in Time e o KANBAN, desenvolvidos pela Toyota;
• em 1.984 é criado o primeiro Grupo de
Benchmarking
em Logística;
• em 1.984 a ABRAS - Associação Brasileira
de Supermercados cria um departamento de logística para
discutir e analisar as relações entre Fornecedores e
Supermercados;
• é criado o Pálete Padrão Brasileiro,
conhecido como PBR e o projeto do Veículo Urbano de
Carga;
• em 1.988 é criada a ASLOG - Associação
Brasileira de Logística;
• instalação do primeiro Operador Logístico
no Brasil (Brasildock’s)
ANOS
90
• estabilização da economia a partir de
1.994 com o plano Real e foco na administração dos custos;
• evolução da microinformática e da Tecnologia
de Informação, com o desenvolvimento de software para
o gerenciamento de armazéns como o WMS - Warehouse Management System, códigos de barras e sistemas para Roteirização
de Entregas;
• entrada de 06 novos operadores logísticos
internacionais (Ryder, Danzas, Penske, TNT, McLane,
Exel) e desenvolvimento de mais de 50 empresas nacionais;
• ERP / ECR / EDI / DOT;
• privatização de rodovias, portos, telecomunicações,
ferrovias e terminais de contêineres;
• investimentos em monitoramento de cargas
• ascensão do e-commerce
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