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Como deverá se estruturar
o mercado de serviços logísticos no futuro?
O setor automotivo tem
muito a contribuir para o desenvolvimento da logística,
não só pelo tamanho e importância de suas empresas,
mas principalmente pela ousadia, pioneirismo e
visão.
Há alguns anos o setor vem se
organizando no conceito de "tiers" ou camadas.
Explico: ao redor das grandes montadoras estão
as empresas que compõem o "tier one", aquelas
que fornecem diretamente às montadoras e que realizam
a montagem de subconjuntos ou módulos como direção,
sistema de freio, motor, injeção eletrônica, etc,
no qual se incluem empresas como Delphi, Visteon,
TRW, Dana, Bosch, etc. Ao redor do "tier one"
estão empresas fornecedoras de peças ou de pequenos
conjuntos, que constituem o "tier two". E ao redor,
fornecendo peças, tanto para o primeiro nível
quanto para o segundo estão inúmeras empresas
que compõem o "tier three". Empresas do terceiro
nível podem eventualmente contar com fornecedores,
e assim continuamente. Para cada modelo de veículo
produzido, há algo entre 250 e 300 fornecedores
envolvidos.
Antigamente, empresas dos diferentes
níveis se relacionavam com as montadoras, tornando
extremamente complexa essa logística de abastecimento
fazendo com que fosse praticamente impossível
alcançar ganhos de produtividade e economias em
custos.
Mudança semelhante a essa deverá
ocorrer no segmento de prestadores de serviços
logísticos. O motivo será diferente, mas acredito
que os resultados sejam bastante semelhantes.
No centro dessa rede de relacionamentos
teremos os grandes embarcadores que ainda optarem
por uma gestão logística própria e os grandes
operadores logísticos, na sua grande maioria empresas
norte-americanas e européias. Em alguns raros
casos teremos a presença dos gestores de operadores
logísticos, conhecidos como 4PLs. No primeiro
cinturão ao redor, compondo o "tier one" estarão
as grandes e médias transportadoras, médios operadores
logísticos, empresas de tecnologia e grandes provedores
de serviços logísticos especializados. Na segunda
camada ao redor, formando o "tier two" estarão
pequenas e médias transportadoras e diversos provedores
de serviços logísticos especializados. Na periferia
estarão as microempresas de transporte, caminhoneiros
autônomos e outras pequenas empresas prestadoras
de serviços em logística.
O que quero dizer com tudo isso
é que cada vez mais será RESTRITO o relacionamento
das empresas prestadoras de serviços logísticos
com o profissional ou entidade que contrata o
serviço. E isso levará a impactos consideráveis
na estrutura, estratégia e cultura das empresas
de logística. Mudará o nível de cobrança, a forma
de remuneração, a metodologia de avaliação de
desempenho, a relação comercial, estratégias de
marketing, margens operacionais, etc.
Mesmo que você não concorde
com as idéias aqui apresentadas, esteja preparado
para as mudanças no setor de serviços logísticos.
Prepare-se para estar no centro ou ao redor dele.
Ainda que algo aconteça apenas daqui a 2, 3, 5
ou 10 anos, comece a mudar hoje.

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