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As
Armadilhas na Relação entre Cliente e Operador
Logístico
Escrito
por Marco Antonio Oliveira Neves, Diretor da TigerLog
Consultoria e Treinamento em Logística Ltda
1.
Euforia e Ansiedade.
Uma nova parceria entre Cliente e Operador
Logístico é sempre muito festejada. Por um lado
o Cliente acredita estar ingressando no maravilhoso
mundo da logística de Primeiro Mundo, contratando
serviços e tecnologia de primeira linha a um baixo
custo ou a um preço justo. Por outro lado, o Operador
Logístico comemora a inclusão de mais um Cliente
em seu portfólio, a chance de explorar essa nova
conquista comercialmente, além, é claro, de usufruir
os benefícios oriundos da sinergia com as demais
operações e da compensação financeira devida.
Porém, não se deslumbrem, e ponham os pés
no chão.
Cuidado com o otimismo exagerado. O caminho
é longo e tortuoso. Seguramente ocorrerão problemas
na fase de transição da operação própria para
a operação terceirizada, tanto por parte do Cliente
como por parte do Operador Logístico. Ambas as
partes devem estar preparadas para os problemas
que surgirão. Façam um planejamento detalhado
em conjunto, relacionando todas as atividades
necessárias, identificando as críticas e desenvolvendo
planos de contingência para minimizar efeitos
indesejáveis.
2.
Ilusão do baixo custo.
Não existe excelência de serviços
a baixos custos. Numa concorrência entre Operadores
Logísticos, os Clientes não devem se iludir com
propostas comerciais milagrosas. Grandes diferenças
no preço significarão, num futuro próximo, a
falta de estrutura para o atendimento das
necessidades do Cliente ou caso o Operador Logístico
assuma, numa operação deficitária e condenada
ao fracasso no médio e longo prazos. O foco não
deve ser na redução imediata do custo, mas nos
benefícios oriundos dessa parceria no futuro.
3.
Contrato.
Nunca inicie uma operação sem que o contrato
esteja finalizado e validado entre as partes.
Desconfie do jargão “fio de bigode”. Invista tempo
nessa fase. Exaustivas negociações contratuais
levarão a uma convivência tranqüila entre Cliente
e Operador Logístico.
4.
Indicadores de Desempenho.
Cliente e Operador Logístico devem definir
em conjunto quais serão os indicadores de desempenho
utilizados para o monitoramento da operação. Também
devem ser definidas as metas, freqüência de medição,
forma de apresentação, metodologia de correção/prevenção
e pessoal envolvido na geração do índice e na
discussão dos resultados.
5.
Tecnologia.
A implementação de novas tecnologias precisa
ser cuidadosamente avaliada. Isso deve ser feito
ainda internamente na fase de decisão da terceirização
e deve ser reavaliada durante o processo de seleção
do Operador Logístico. Devem ser considerados
os custos com a implementação, os benefícios esperados,
as alterações físicas que serão necessárias no
ambiente operacional, a infra-estrutura para o
funcionamento do novo sistema, as mudanças nos
procedimentos operacionais, os investimentos para
o desenvolvimento das interfaces, etc.
6.
Cuidados com a pressa da
implementação.
Aqui vale o ditado de que a pressa é inimiga
da perfeição. Principalmente para as atividades
críticas identificadas na fase de planejamento
da implementação, tenha o cuidado devido de realizar
as atividades sem que haja atropelos.
7.
Não critique publicamente
os antigos prestadores de serviço.
Isso vale para Cliente e Operador Logístico.
A crítica feita por um Operador Logístico a um
antigo prestador de serviços logísticos do Cliente
indiretamente recairá sobre o responsável pela
contratação ou pela supervisão daquele serviço.
Inimizades poderão ser criadas e numa eventualidade
futura ficará aberta uma brecha para que esse
fato seja relembrado. O Cliente também deve evitar
criticar seus antigos prestadores de serviços
logísticos, pois poderá inibir seu Operador Logístico
a realizar determinadas experiências ou a implementar
melhorias anteriormente planejadas.
8.
Comunicação.
Comunicação deficiente poderá rapidamente
destruir a parceria entre o Cliente e o Operador
Logístico. Tanto de um lado como do outro, detalhe
quem deverá receber que tipo de informação, como
e quando. Clareza, profissionalismo e cordialidade
são fundamentais.
9.
Cuidado ao transferir funcionários
do Cliente para o quadro operacional do Operador
Logístico.
Isso é um grande dilema e não há uma resposta
básica para isso. Cada caso deverá ser avaliado
individualmente. O Cliente receia perder excelentes
colaboradores com a entrada do Operador Logístico.
O Operador Logístico teme ser acionado judicialmente
pelo ex-funcionário ou ter um funcionário resistente
às novas mudanças propostas pela empresa.
10.
Cultura da empresa.
O choque cultural é inevitável. Neste caso
é o Operador Logístico quem deve se adaptar à
realidade do Cliente e fazer o impossível para
passar despercebido.
11.
Duplicidade de comando.
Pessoas diferentes, com perspectivas diferentes
e objetivos pessoais e profissionais diferentes
podem gerar conflitos desnecessários. Se a duplicidade
de comando é inevitável, tenha cuidado ao definir
o representante do Cliente e do Operador Logístico
que atuarão em conjunto. A convivência deve ser
harmoniosa e ambos devem ter único objetivo: o
da excelência na operação logística a custos competitivos.
12.
Queda-de-braço. Quando
as coisas não vão bem, é possível que uma das
partes se aproveite de seu poderio econômico ou
da situação para demonstrar quem comanda a relação.
Ao chegar nesse ponto, estará claramente explicito
que a relação terminou ou que se continuar, alguém
terá que se curvar ao outro. Por isso, cuidado
na parceria para não dizer depois que houve duas
alegrias, uma quando começou a relação, e outra,
quando ela terminou...

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