Transportadoras e Embarcadores uma relação conflituosa e preocupante para o futuro do Brasil.
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Constantemente falamos em parcerias de longo prazo, em colaboração, em negociações ganha - ganha, mas na prática, o que temos observado no relacionamento entre Transportadoras e Embarcadores é uma verdadeira queda de braço.

 

De um lado da mesa os Embarcadores, que na visão das Transportadoras, realizam descontos unilateralmente, estendem os prazos de pagamento de forma absurda, não pagam em dia, não acatam a cobrança de multas e juros, evitam contratos de médio prazo (ou quando tem contratos, não os respeitam), pressionam por fretes cada vez menores, ameaçam constantemente com a iminente substituição por um eventual concorrente, buscam soluções mágicas para etc.

 

Do outro lado as Transportadoras, que na concepção dos Embarcadores, prometem muito e realizam pouco, nada tem a oferecer além do caminhão, pecam na qualidade das informações, apresentam serviços com alta variabilidade, com muitos altos e baixos, exageram nos indicadores de avarias e extravios, criam taxas diversas para gerar receitas adicionais, etc.

 

Essa disputa vai longe e a cada dia que passa, mais impacta negativamente sobre o relacionamento comercial. A deterioração das parcerias é amplamente percebida, não apenas por quem está envolvido diretamente na relação, mas também por outros departamentos internos nos Embarcadores (em especial a área de Vendas) e também por muitos Clientes, já que o jogo de "empurra" acaba afetando-os diretamente.

 

Até alguns anos atrás essa "parceria" era viabilizada pelas Transportadoras, pela passiva aceitação das condições impostas pelos Embarcadores. Raramente ocorria o inverso. De alguns anos para cá, especialmente a partir de 2010, muitos prestadores de serviços passaram a questionar decisões tomadas por seus Clientes, e em muitos casos, partiram deles mesmos (das Transportadoras) o desejo de encerrar o relacionamento comercial.

 

Parcerias de muitos anos (em alguns casos, décadas), estão sendo encerradas, muitas deles sem qualquer "respeito" ao passado; parece que a história construída, ao longo de vários anos, não serviu para nada. É triste, desmotivante e preocupante.

 

Se em muitos lares, no seio familiar, as relações já não existem mais, imagine então no mundo empresarial. O que significa uma relação de 25 anos? Nada, absolutamente nada. De ambas as partes não existe a iniciativa de buscar uma solução interessante para os dois lados, contratado e contratante. É mais fácil substituir, começar do zero. É mais simples mentir, ocultar, Talvez seja mais prazeroso penalizar.

 

Ao final dessa disputa não teremos vencedores. Todos perderão. Em um pais de dimensões continentais, extremamente dependente do modal rodoviário, no qual é cada vez mais difícil conviver com restrições à circulação de veículos, falta de motoristas, roubo de carga, congestionamentos nas grandes e médias cidades, etc., será que essa é a solução ideal?

 

Não estamos "destruindo" uma importante indústria, crucial para o desenvolvimento do nosso país, como o setor de prestação de serviços logísticos?

 

Não quero, neste artigo, defender A ou B, mas apenas alertar a todos, em ambos os lados, para o que está sendo construído (ou melhor, destruído)!

 

Não te preocupa saber que empresários honestos, batalhadores, pioneiros e perseverantes, responsáveis por gigantescas empresas de transportes como Mercúrio, Expresso Jundiaí, Rapidão Cometa, Expresso Araçatuba, dentre outras, optaram por vender seus negócios?

 

Qual o futuro desse setor de transportes se não trabalharmos em conjunto, de forma transparente e colaborativa? Apenas perderemos se ambos continuarem nessa queda de braço.

 

Veremos Embarcadores se aventurando na atividade de transporte de cargas, adquirindo caminhões, contratando motoristas, abrindo terminais de cargas. Será esse o caminho?

 

Eu prefiro não pagar para ver. E você o que prefere?

 

Autor: Marco Antonio Oliveira Neves

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