O "difícil" dilema dos Embarcadores...como resolver?
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Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda

 

A grande maioria dos Embarcadores passa por um difícil dilema atualmente: deve reforçar a suas competências em gestão de transportes ou deve "transferir" grande parte das suas responsabilidades para seus parceiros?

 

Alguns vão ainda além,  e pensam em voltar a ter frota própria ou a contratar diretamente transportadoras autônomas, e assumir definitivamente a gestão e também a operação de transportes.

 

Essa dúvida cruel decorre de diversos fatores, relacionados a seguir

 

Um dos principais, obviamente, está relacionado ao aumento dos custos operacionais e a má notícia é que esses custos continuarão aumentando nos próximos anos, principalmente devido à correção nos preços dos combustíveis e aos reajustes nos salários, principalmente de motoristas, já que existe um déficit de profissionais de mais de 120 mil profissionais no Brasil.

 

Outro fator, igualmente importante, está relacionado ao nível de serviço, que na visão da maioria dos Embarcadores, é inconstante e ruim, não existindo uma contrapartida adequada aos valores pagos às Transportadoras. Os problemas não se restringem apenas à pontualidade na entrega ou na coleta, mas também ao aumento de extravios, furtos e avarias de mercadorias.

 

A falta de informação também é uma grande deficiência a ser superada. O déficit temporal entre a entrega (ou coleta) e o retorno da informação é muito grande, e pode chegar a intermináveis dias, quando na prática, deveria demandar apenas alguns segundos. Não faltam novas e econômicas tecnologias no mercado, que envolvem roteirizadores, ferramentas para a automação do processo de conferência e pagamento de fretes, aplicativos para a comunicação em tempo real, sistemas de telemetria, etc.

 

O aumento da complexidade operacional é outro fator preocupante para os Embarcadores. Pedidos cada vez menores, aumento do número de itens comercializados, entregas agendadas, restrições à circulação de veículos, aumento da criminalidade, etc., tudo isso contribui ainda mais para o aumento dos custos, queda da produtividade e oscilações no nível de serviço.

 

Diante desse cenário aterrorizador, os Embarcadores se veem pressionados a tomar uma decisão, que podemos considerar estratégica: reforçar ou não as competências em planejamento, gestão e operação em transportes?

 

A resposta é SIM. Embarcadores deverão reforçar suas capacidades em transportes. O grande problema é: em que medida isso deve ser feito?

 

Atualmente, tem se tornado uma realidade cada vez mais perceptível a existência de Torres de Controle nas empresas, voltadas ao planejamento, gestão e operação em tempo real, ou em algo muito próximo disso. Até já é possível encontrar cargos como Gerente da Torre de Controle.Empresas operando com a Torre de Controle investem na integração de dados com seus parceiros, gerando um "espelhamento" dos dados. Ou seja, trabalham com as mesmas informações que seus Transportadores e Operadores Logísticos, atuando de forma conjunta, no nível estratégico, tático e operacional.

 

Na teoria, os Embarcadores deveriam concentrar seus esforços no planejamento e gestão, mas na prática tem "invadido" o território das Transportadoras, assumindo atividades operacionais. Ao fazerem isso, criam um terrível ciclo vicioso, pois "empurram" seus parceiros cada vez mais para baixo, e de certa forma impedem seu desenvolvimento. De forma passiva, muitas Transportadoras acabam acatando essa decisão, e restringem a sua atuação a um nível operacional muito baixo. É nesse momento em que o Embarcador entende que pode assumir a totalidade da operação, inclusive contando com frota própria ou contratando diretamente transportadores autônomos.

 

Para muitas empresas, tanto de um lado (contratante) como do outro (contratada), a utilização do autônomo se transformou em uma (e às vezes a única) solução extremamente interessante. Mas, lidar com autônomos não é nada fácil. Como localizá-los, como fidelizá-los, como garantir que atenderão aos seus requisitos de qualidade, etc.?

 

O que fazer então?

 

Embarcadores devem, em conjunto com seus parceiros, definir as responsabilidades e o escopo de atuação de cada parte, formalizar contratos, estabelecer indicadores de desempenho e metas, investir em novas soluções tecnológicas e operacionais.

 

A tecnologia cada vez mais será um importante diferencial. O que seu parceiro em logística e transportes tem para oferecer? Como isso poderá lhe tornar mais competitivo? Como ele poderá lhe ajudar a vender mais e com maior rentabilidade, afinal não é esse o verdadeiro propósito da logística?

 

Um importante executivo do setor de transportes recentemente deixou a sua empresa e passou a se dedicar ao desenvolvimento de uma ferramenta para a localização e contratação de motoristas conhecida por TruckPad (www. truckpad.com.br); trata-se de uma ferramenta na internet e de um aplicativo para smartphones, que conectam a necessidade das Transportadoras (ou Embarcadores) com um banco de dados de quase 200 mil caminhoneiros cadastrados. Outras empresas têm se dedicado ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de soluções para a otimização cúbica de cargas, roteirização de entregas, pagamento de fretes, localização de veículos, controle de pneus, comunicação com a tripulação, telemetria, etc. Ainda não dispomos de uma solução TMS (Transportation Management System) que integre tudo isso, mas em breve deveremos contar com uma ferramenta completa no mercado.

 

Se a sua empresa optar por reforçar as competências logísticas, precisará trabalhar cinco diferentes pilares: pessoas, processos, infraestrutura, tecnologia e sistemas de gestão.

 

Não será fácil, rápido e nem barato. Demandará tempo e dinheiro. Comece pela sua equipe, capacitando-o em novos conhecimentos. Esse será o "combustível" necessário para a mudança. O restante virá como consequência do interesse e curiosidade de seu pessoal.

 

E considere seu parceiro uma verdadeira extensão da sua empresa. Não confunda terceirizar com abdicar. Não transfira os problemas para a sua Transportadora ou Operador Logístico. Trabalhe de forma colaborativa, transparente e com foco em resultados. Estabeleça patamares evolutivos e o prazo para alcançá-los.

 

Entenda os custos operacionais, e desenvolva mecanismos ganha-ganha para ambas as partes. Transforme seu contrato em um robusto manual de operações; isso evitará conflitos desnecessários e direcionará a parceria para o longo prazo.

 

Boa sorte e bom trabalho!

 

 

 

Autor: Marco Antonio Oliveira Neves

Fonte: Marco Antonio Oliveira Neves

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