Supply Chain ou Supply China?

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda.

Não, não é apenas um trocadilho, mas uma forma de fazê-lo repensar o seu negócio, sob o ponto de vista de quem atua na gestão da cadeia de abastecimento, se preferir, supply chain.

Em meus cursos e em projetos no qual exerço a função de consultor, costumo alertar os meus clientes, sejam eles Embarcadores ou Prestadores de Serviços em Logística e Transportes (PSLT) que existimos ou existiremos até o momento em que algum chinês resolva fazer exatamente o que fazemos.

Isso aconteceu com o setor de calçados. Depois expandiu-se para o têxtil. Chegou aos eletrodomésticos, brinquedos, utensílios domésticos, metalúrgico e siderúrgico. Ameaça o automotivo e as indústrias de bens de capital. Está chegando ao segmento de alta tecnologia, como computadores, notebooks, tablets, smartphones, etc. Resumindo, estão atacando por todos os lados, de todas as maneiras. Você, com certeza, tem dezenas de produtos na sua casa ou no seu escritório com a gravação Made in China. E não adianta perdermos tempo discutindo as condições de competitividade dos produtos chineses; isso é fato. Melhor investir nosso precioso tempo em preparar-se para uma verdadeira e demorada guerra.

Muitas empresas sucumbiram diante da “invasão chinesa”, mas algumas, poucas, sobreviveram. Olhe, por exemplo, para o setor têxtil, um dos mais afetados. Temos ali excelentes exemplos, como Dudalina, Hering, Malwee, Lunender, Marisol, Karsten, Lepper, Dohler, dentre outras. Essas empresas precisaram se reinventar, reavaliando foco de atuação no mercado, portfólio de produtos, nível de informatização e automação, política de preços, sistemas de produção, estoques, canais de distribuição, logística, pós-venda, etc.

Seguramente, a gestão da cadeia de abastecimento teve e continuará tendo um importante papel na sobrevivência e no crescimento dessas empresas.

Mas, infelizmente, a grande maioria das empresas brasileiras não está e nem estará pronta a tempo de conviver com seu vizinho chinês.

È preciso reavaliar (se existir) ou desenvolver uma estratégia de supply chain para fazer frente ao supply China. Uma estratégia para a gestão da cadeia de abastecimento deverá contemplar ações envolvendo PESSOAS, PROCESSOS, INFRAESTRUTURA, TECNOLOGIA e SISTEMAS DE GESTÃO. Ela deveria partir de uma visão clara e realista das necessidades e expectativas de seus Clientes. O problema, é que muitas empresas desconhecem seus Clientes, ou estão muito distantes deles, para que possam compreendê-los. Acabam, então, desenvolvendo uma proposta de valor, de dentro (da empresa) para fora (Clientes) e não de fora (Clientes) para dentro (empresas).

Mesmo estando alinhado com aquilo que o Cliente valoriza e está disposto a pagar, rever ou construir uma estratégia de supply chain não será uma tarefa fácil, e muito menos, rápida. Você precisará desenvolver diferenciais competitivos, de forma consistente, sejam eles em custos, nível de serviço, capacidade de inovação, etc.

Você também precisará se aprofundar na cultura e no DNA da sua empresa, conhecer seus objetivos de curto, médio e longo prazo, estudar a fundo os seus concorrentes, entender questões legais e de regulação do mercado, familiarizar-se com as tecnologias emergentes, avaliar as tendências de mercado, etc.

Essa análise interna e externa, de Pontos Fortes, Pontos Fracos, Oportunidades e Ameaças é fundamental. Ela levará você e sua equipe a questionar diversos paradigmas existentes na empresa.

Prepare-se para uma reavaliação de seus processos de planejamento de vendas e operações, níveis de estoques, portfólio de produtos (incluindo a racionalização de SKUs), canais de distribuição, infraestrutura operacional e malha logística, terceirização ou não de competências logísticas, contratos e metodologia de gestão junto aos PSLTs, indicadores de desempenho, metas, etc. Antes de enfrentar os chineses, você precisará enfrentar uma longa “batalha” interna.

Nada disso será fácil, mas será crucial para fazer frente ao exército de empresas chinesas ávidas por novos mercados. Desenvolva ou atualize a sua estratégia de supply chain enquanto ainda houver tempo, caso contrário, você precisará curvar-se ao supply China!

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