A questão do turn-over nos Centros de Distribuição

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda

A questão da retenção da mão-de- obra tem se transformado em uma das maiores preocupações dos executivos atuantes na área de logística.

A movimentação de pessoal é muito grande e para esse problema, tecnicamente conhecido como turn-over, parece não existir uma “luz no final do túnel”.

Em algumas regiões, principalmente naquelas com uma alta concentração de Centros de Distribuição e Indústrias, o turn-over chega a representar 20% a 30% ao mês, ou seja, para um efetivo de 100 funcionários, ocorrem, em um único mês, algo entre 20 a 30 movimentações entre admissões e demissões.

Em uma atividade cada vez mais personalizada, onde os processos de conferência, estocagem, inventário, separação de pedidos (picking) e expedição exigem conhecimentos cada vez mais técnicos e um nível de automação cada vez maior, a alta rotatividade vem totalmente em “desencontro” com os requerimentos e especialização demandada.

As empresas têm investido pesadas quantias na estruturação de suas áreas de recrutamento e seleção ou no estabelecimento de parcerias com agências de empregos para “amenizar” o efeito desse entra-e-sai.

Em algumas empresas já observamos casos em que 70% a 80% do efetivo do Centro de Distribuição tem menos de um ano de casa!

Diante dessa realidade, muitos Embarcadores estão optando por terceirizar a atividade logística na tentativa de “driblar” o problema. Nessa mesma linha, Operadores Logísticos acabam “quarteirizando” parte da mão-de- obra com empresas especializadas ou cooperativas.

Infelizmente, não é e nem será fácil resolver esse problema. Ele desafia até os mais experientes profissionais da área de Recursos Humanos e todo o embasamento das teorias comportamentais. Afinal, o que fazer para reter os melhores profissionais?

Não existe uma resposta única e certeira. E mesmo um conjunto de soluções poderá ser ineficaz diante de uma oferta considerada mais vantajosa por um colaborador. O que pode valer para um, poderá não valer para outro. E aí entra em consideração a idade do funcionário, seu estado civil e a quantidade de dependentes diretos, sua condição econômica (se mora em casa própria ou se tem carro por exemplo), sua vivência profissional, sua visão de vida e planos futuros, se mora perto ou não do local de trabalho, se o acesso por transporte público é facilitado ou não, etc.

Algumas empresas estão definindo o seu “perfil ideal” de candidato. Uma delas, por exemplo, definiu que homens deverão residir próximo ao emprego, serem casados, morarem de aluguel, ter no máximo dois filhos, e ter entre 28 e 45 anos. Também definiu que as mulheres devem ser casadas ou separadas, preferencialmente sem filhos ou já com filhos mais velhos, com idade entre 25 e 40 anos. A partir dessas definições, desenvolvem um plano de benefícios específico. Trabalham com a hipótese de que a margem de erro será menor. Está dando certo? Sim, mas somente quando realmente acertam nesse perfil. Nesses casos, o turn-over varia entre 5% a 10%. Não é o ideal, mas já é muito melhor.

Outras empresas têm optado por desenvolver um amplo pacote de benefícios, com alimentação no local de trabalho, assistência médica e odontológica, cesta básica, transporte para funcionários, etc. Como citado anteriormente, esse pacote poderá agradar alguns, mas poderá não ser suficiente para reter outros.

Algumas empresas insistem em trabalhar fortemente os aspectos comportamentais, relacionados a liderança, comunicação interna, relacionamento, etc, mas também esbarram nessa “diversidade” de profissionais. A “leitura” que cada um faz disso é muito diferente, produzindo percepções e reações também muito diferentes.

Poquíssimas empresas partiram para sistemas de remuneração variável, devido às dificuldades de implantar um modelo realmente interessante para ambos os lados, e também pelo receio de criar um passivo jurídico adiante. As poucas que se aventuraram nessa empreitada ainda não apresentaram resultados realmente relevantes para confirmarmos a eficácia do modelo.

O tema é altamente complexo. Só não podemos permanecer passivos a isso tudo. Só posso lhe desejar BOA SORTE e que tenha sucesso nesse árduo trabalho!

Deixe uma resposta

Como podemos te ajudar?

Entre em contato com a Tigerlog se precisar de mais informações sobre nossos produtos, serviços, cursos ou até mesmo sobre informações de mercado.

QUERO MAIS INFORMAÇÕES SOBRE OS PRODUTOS E SERVIÇOS

Demos

Layout

Wide
Boxed