Torre de Controle em Transportes… se você ainda não tem, prepare-se para ter!

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística.

Não importa se você atua em uma Transportadora / Operador Logístico ou em um grande ou médio Embarcador… em breve você precisará contar com uma Torre de Controle em Transportes.

A defasagem temporal entre uma ocorrência operacional e a informação relativa a essa não conformidade deverá ser reduzida de alguns dias ou horas para alguns SEGUNDOS! Do que adianta saber de algo que já ocorreu, e para a qual não existe mais nada a ser feito, apenas lamentar? E mais do que isso, em pouco tempo precisaremos evoluir para uma gestão preventiva, antecipando-se a possíveis problemas operacionais.

Pense no funcionamento de um aeroporto e adapte essa realidade ao transporte de cargas. Imagine um departamento atuando como uma Torre de Controle, utilizando informações em tempo real para a tomada de decisão.

A Torre de Controle atuará no planejamento e no monitoramento da disponibilidade dos recursos (frota, tripulação e infraestrutura de apoio), no nível de utilização dos ativos operacionais, na execução da operação e na administração dos custos e nível de serviço decorrentes.

Trata-se de uma metodologia de gestão que tem como objetivo primário agilizar o processo de tomada de decisão em transportes, fornecendo informações em tempo real à equipe da Torre de Controle, de forma rápida, objetiva e precisa, integrando os três níveis de decisão: operacional, tático e estratégico.

O conceito de Torre de Controle em Transportes envolverá o monitoramento de variáveis-chave da operação em tempo real. A partir da definição de intervalos de tolerância e de níveis de criticidade, a equipe da Torre de Controle atuará de forma preventiva e corretiva, ao se deparar com alterações significativas em seus indicadores.

Exemplo de indicadores monitorados pela Torre de Controle:

  • Atendimento da demanda por transporte
  • Aderência do roteiro planejado à rota realizada
  • Cumprimento de horários e ocorrência de tempos improdutivos (tempos “mortos”), que envolve o tempo parado em congestionamentos e o tempo de espera para descarga nos Clientes
  • Aproveitamento do frete-retorno
  • Produtividade da frota (quilometragem rodada mensalmente / número de viagens realizadas / número de coletas e entregas feitas)
  • Nível de aproveitamento da capacidade do veículo
  • Controle do consumo e do rendimento dos insumos produtivos (diesel, peças de veículos e pneus)
  • Custos operacionais com operações convencionais e operações excepcionais
  • Indicadores de avarias, furtos e extravios
  • Sinistros
  • Nível de serviço ao Cliente (pontualidade na entrega, documentação correta, nenhum material faltante)
  • Reclamações de Clientes

As palavras-chave para o sucesso na implantação da Torre de Controle serão VISIBILIDADE e COLABORAÇÃO.

No caso dos Embarcadores será necessário, desde o princípio, selecionar parceiros adequados ao seu propósito mais relevante, o de obter informação em tempo real, e mais do que isso, poder atuar em tempo hábil na reversão de possíveis efeitos indesejados, evitando retrabalho e custos adicionais. Isso deverá representar, em um primeiro momento, custos adicionais em transportes. Mas nesse caso é importante avaliar a relação custo benefício. Por exemplo: um aumento de 8% no frete permitirá um aumento no faturamento, em patamares superiores a 15%?

Transportadoras e Operadores Logísticos deverão desenvolver e reforçar suas competências na gestão de transportes, disponibilizando esse novo “produto” para seus Clientes.

Para os Embarcadores, mais do que selecionar adequadamente os seus parceiros, será importante atuar de forma COLABORATIVA. O Embarcador não deverá abdicar de suas responsabilidades e deveres, mas sim atuar de forma harmoniosa e complementar junto às suas Transportadoras e Operadores Logísticos. No mínimo, deveremos buscar a soma de competências, porém, o ideal, será multiplicá-las.

A VISIBILIDADE também será fundamental. Com as inúmeras tecnologias disponíveis como GPS, GPRS e com os sistemas de telemetria já é possível obter as informações em campo e trabalha-las em tempo REAL! Será necessário, obviamente, desenvolver interfaces entre os sistemas dos Embarcadores e dos parceiros logísticos para a captura e tratamento dos dados.

A partir da captura dos dados, nos depararemos com uma importante questão: o que fazer com tanta informação? O que caberá a quem? Ou seja, que tipo de informação será administrada pelo Embarcador (contratante) e que tipo de informação será trabalhada pelo parceiro logístico (contratado)? Qual o escopo de atuação de cada parte? Aí voltamos novamente para a questão da COLABORAÇÃO na definição dessas “fronteiras” de atuação.

Se para a sua empresa a logística é realmente um diferencial estratégico de competitividade, está mais do que na hora de buscar informações em tempo real, para a decisão preventiva ou corretiva de forma imediata, evitando os efeitos indesejáveis do retrabalho logístico.

Mas lembre-se que muito rapidamente precisaremos pensar adiante, ou seja, imaginar o que poderá acontecer antes que realmente aconteça! Parece difícil, mas não é impossível! O aprendizado diário levará à adoção de mecanismos de prevenção e ao desenvolvimento de ferramentas, transformados, provavelmente, em políticas de gestão da área de transportes.

Com a Torre de Controle deixaremos de atuar de forma passiva e reativa, e passaremos a pensar e agir de forma proativa. Deixaremos de lado as desculpas e lamentações, que serão substituídas por ações positivas e realmente eficazes, que levarão a menores custos e maiores níveis de serviço, equacionando o difícil binômio ao qual o profissional de logística é submetido diariamente.

Portanto, mãos à obra. Só não fique parado. Na logística precisamos correr muito para permanecer no mesmo lugar. Sucesso! Bom trabalho!

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