O Futuro do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística.

Desde a década de 90, o setor de transporte rodoviário de cargas vem passando por profundas mudanças. Várias “ondas” atuaram sobre esse importante e estratégico setor da economia, produzindo efeitos devastadores. O que deveria ter servido como estímulo para o crescimento e desenvolvimento das Transportadoras no Brasil, acabou gerando um efeito contrário, contribuindo decisivamente para o aumento da mortalidade no setor.

Podemos enumerar uma série de fatores que pressionaram o setor como o fim da espiral inflacionária fortemente presente na vida dos brasileiros nos anos 80 e 90, o aumento do roubo de cargas na década passada e nos dias atuais, a imposição de restrições à circulação de veículos nas grandes cidades, o aumento do controle sobre a arrecadação de tributos, o cerco do poder público sobre a contratação de mão de obra dentro do que estabelece a CLT, os gastos adicionais com indenizações pagas a funcionários e parceiros alegando vínculo empregatício, a demanda por novas tecnologias, o aumento das avarias, furtos e extravios, etc.

Poucas Transportadoras conseguirão saltar desse carro totalmente descontrolado, que se dirige de forma abrupta para um penhasco. Essas pouquíssimas empresas, ou serão vendidas, ou farão a lição de casa, dever este que parece interminável, nunca cessar, já que novos desafios e novos obstáculos insistirão em continuar surgindo à frente delas.

A grande maioria não conseguirá sobreviver a essa viagem sem volta. Ao logo dos próximos anos, desabarão, pouco a pouco, uma atrás da outra. Empresas com 50, 40, 30, 20, 10, 5, 2 ou 1 ano de vida simplesmente desaparecerão.

Sucumbirão ao que vem por aí, seja por questões sucessórias, seja pela falta de visão estratégica e de um adequado entendimento do mercado, seja pelas dificuldades financeiras decorrentes do cenário macroeconômico atual e futuro, seja pela demora em promover as mudanças necessárias para superar as adversidades atuais e futuras.

Muitos acreditam que quem sobreviver poderá desfrutar de uma nova realidade de mercado. Isso pode não ser verdadeiro. Veja o caso do Rodoviário Ramos, que deixou o mercado em 2012. Muitas empresas atuantes na Região Nordeste, com alcance local, regional ou até nacional acreditaram que cresceriam muito diante da ausência desse importante concorrente e que isso representaria um aumento da sua rentabilidade. E o que aconteceu na prática? Nada! Ao contrário, outras Transportadoras tiveram o mesmo destino!

Ainda há tempo obviamente. Nem todas estão condenadas ao fracasso. Muitas delas ainda poderão livrar-se desse trágico destino. A classe de empresários do setor de transportes no Brasil é formada por pessoas extremamente corajosas, arrojadas, perseverantes e otimistas. São profundos conhecedoresdo negócio. Mas, ao mesmo tempo, muitas vezes são paternalistas, emotivas, lentas na tomada de decisões importantes. Insistem em coisas que não deram certo. Decidem sem o correto embasamento e gerenciam seus negócios com base na tentativa e erro. Perdem seu precioso tempo com assuntos irrelevantes. Em alguns casos estão cercados de profissionais incompetentes, sanguessugas. São resistentes a mudanças e desconfiam daqueles que querem romper paradigmas.

Muitas morrerão, mas muitas outras surgirão. Outras até renascerão, com outra razão social e CNPJ. Talvez não sintamos a falta delas por uma simples questão matemática, onde novas empresas substituirão as atuais, sem comprometer o desempenho do mercado.

Na prática não é bem assim. Perderemos empresas excepcionais, que cresceram em meio a enormes dificuldades, em tempos em que sequer estradas existiam. Perderemos profissionais que participaram ativamente de toda essa transformação vivenciada pelo setor. Perderemos uma gigantesca parte da história do transporte e importantes valores cultuados por essas empresas.

Torço para que esteja errado, e que testemunhe uma reviravolta no setor, para que possamos, quem sabe um dia, comemorar 100 anos de existência da Transportadora A, B ou C. Seria muito gratificante! Mais do que isso, seria um concreto sinal de que é possível navegar em um mar tenebroso e sobreviver a todas essas “ondas”.

A esperança existe. Que os proprietários e executivos dessas empresas mexam-se a tempo de reverter o quadro desfavorável. Que entendam que as soluções dependem muito mais deles do que dos Clientes e dos órgãos públicos. E que estejam aí para contar essas histórias fabulosas!

Bom trabalho! Trabalho não falta!

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