Está desempregado? Prepare-se para retornar rapidamente ao mercado.

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística.

Em três anos da minha vida profissional, entre 1998 e 2000 consegui a incrível façanha de ficar desempregado três vezes; nesse período, trabalhei 12 meses e “folguei” outros 12. E posso garantir que esse foi o maior aprendizado da minha vida; daí em diante me transformei em uma nova pessoa e profissional, mais forte, mais confiante e mais certo do que realmente queria.

Estar desempregado pode ser passageiro. Pode também demorar, e muito mais do que você espera.

O desemprego pode leva-lo à depressão, pode comprometer sua saúde física, pode estremecer relacionamentos. Mas também pode ser um incrível momento para renascer, para se reinventar; pode servir como um “trampolim” para uma nova vida, muito melhor do que aquela que você até então acreditava ser a ideal.

O status “desempregado” nos envergonha, nos isola; queremos nos esconder de tudo e de todos. Mas também pode significar um momento de pausa, de replanejamento, de reflexão para uma nova fase da sua vida, onde suas competências e habilidades realmente aflorarão e mostrarão a todos quem você realmente é.

Então, vem aí a primeira grande dica: pense positivo. Mentalize coisas boas. Afaste-se de pessoas negativas, de ex-colegas de trabalho que lhe atualizam com as fofocas da antiga empresa, de pessoas desanimadas. A demissão nos entristece. Pode gerar raiva. Muitas vezes queremos buscar “culpados” e quando insistimos nessa busca, perdemos tempo e nos contaminamos com sentimentos ruins.

Seja positivo, mas não perca o entendimento da realidade, mantenha os pés no chão. Isso vai permitir enxergar melhor diante da forte neblina que tentará obscurecer a sua visão.

Segunda dica: prepare-se, eventualmente para o novo. Encare essa situação, aparentemente negativa, como uma oportunidade dada a você, de como um bandeirante, explorar novos caminhos. Isso pode representar uma mudança de cidade, um novo ramo, uma nova função. Não tenha medo. Confie em si próprio.

Terceira dica: não se transforme em um ermitão; nada de se isolar do mundo. Se realmente quer ficar só, procure um templo em algum lugar remoto do planeta. Caso contrário, tenha sua família e seus amigos ao seu lado, sempre. Lembre-se que muitas vagas sequer serão divulgadas e serão preenchidas através de indicações de profissionais internos. E não confunda isso com QI – Quem Indica; essa é uma forma sarcástica de se referir a um processo muito comum e muito eficaz em muitas empresas. Inclusive, algumas organizações premiam seus funcionários por indicações bem-sucedidas. Você pode vir a ser uma dessas indicações de sucesso!

Quarta dica: faça seu CV chegar a headhunters e aos profissionais de RH responsáveis pelo recrutamento e seleção. Dedique muitas horas de seu dia na Internet garimpando contatos nas empresas que você acredita ter mais chance de se reempregar. Se você, por exemplo, tem uma carreira no setor de bebidas, com certeza terá maior probabilidade de se recolocar em indústrias desse setor ou na cadeia de abastecimento que a envolve, como fabricante de latas, rótulos, caixas plásticas ou de papelão, etc. Me lembro que nesses inesquecíveis anos de 1998, 1999 e 2000 quanto a Internet ainda engatinhava com demoradas conexões discadas, eu acordava 6 horas da manhã no domingo e corria para o Aeroporto de Guarulhos para comprar jornais de todos os Estados, para ter acesso às vagas existentes em qualquer lugar que fosse do Brasil. Me lembro, em uma semana, ter feito 5 entrevistas, duas em SC, duas no RS e uma no PR, em uma logística pessoal maluca para estar presente em todas as empresas. Fiz isso todas as semanas, ao longo de 4 meses, e numa dessas entrevistas conheci uma pessoa, que conhecia outra pessoa, que por sua vez conhecia outra pessoa que estava procurando alguém com o meu perfil. E aí deu certo!

Quinta dica: não “engesse” o seu CV. Se preciso tenha 2 ou 3 versões, adequadas para posições, que exigem determinados níveis de especialização. Por exemplo, você pode participar de um processo para um gestor de orçamentos, mas com um pequeno ajuste no CV, também ser competitivo para uma vaga relacionada a planejamento estratégico. Ou ainda, concorrer em uma posição que envolve análise de investimentos. Um único CV, generalista, mesmo que aborde tudo isso, talvez não seja a melhor opção.

Sexta dica: continue se aprimorando enquanto aguarda a nova colocação. Ah, mas não tenho grana! Isso não é empecilho. Tem vários cursos gratuitos por aí. Você pode, por exemplo, aprender a operar a HP-12C utilizando uma apostila de um colega seu. Pode estudar espanhol com livros cedidos por algum parente. Pode melhorar seus conhecimentos em estatística básica através de um livro emprestado de uma biblioteca. De repente, uma ou mais dessas coisas “novas”, adicionadas ao seu CV, poderão fazer a diferença entre você e os demais candidatos.

Sétima dica: se convocado, vá. Nada daquelas perguntinhas desencorajadoras como: “Onde fica a empresa? ”, “ Para quem vou responder? ”, “Qual o ERP que vocês utilizam? ”, “Precisa trabalhar aos sábados? ”, “Qual o salário? ”, “Quando chove, alaga? ”, “O índice de criminalidade é alto na região? ”, “Tem muito trânsito para chegar lá? ”, etc. Ah, mas se eu não perguntar, poderei estar perdendo meu precioso tempo. Tempo, meu amigo ou minha amiga, é que você mais tem agora. Pode perder tempo, claro, mas também pode estar em contato com algo que não parecia interessante a princípio, ou na pior das hipóteses, conhecer novas pessoas, que poderão ajudar-lhe futuramente. Oitava dica: uma vez lá, na reta de chegada, prepare-se adequadamente. Chegou o momento crucial e derradeiro? Hora de ficar cara a cara com seu futuro chefe? Então, prepare-se. Prepare-se bem. Se precisar ensaie com a mãe, com a irmã, com a esposa ou com o amigo mais crítico e chato que você tiver. Se estiver inseguro, contrate o serviço pontual de um profissional da área de recrutamento e seleção, mas pelo amor de Deus, não desperdice essa oportunidade.

Nona dica: pintou uma chance, aceite, mesmo não sendo a ideal. Mesmo que ganhe menos, trabalhe mais longe ou assuma responsabilidades inferiores ao que você tinha anteriormente, aceite. É mais fácil procurar um novo emprego estando empregado do que desempregado.

Última dica: tenha fé, independentemente da sua religião. Reze do seu jeito, mas não deixe de orar e de agradecer por cada dia. Isso nos fortalece e nos faz acreditar que algo bom vem por aí. Mas não deixe de continuar trabalhando para se reempregar. Afinal, você não está totalmente desempregado; lembre-se que você está trabalhando para retornar, e para voltar dando a volta por cima, mesmo que isso demore alguns meses.

Aconteceu comigo depois de muitos tropeços. Vai acontecer com você também. Tropeçou? Levante-se. Erga a cabeça. Olhe para frente. E siga, sem medo! Boa sorte!

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