Como planejar 2016 na logística e no transporte?

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda

Acredito que 2016 deverá ser melhor do que 2015. Isso não significa que será um bom ano, mas sim, que em 2016 deveremos enfrentar uma recessão inferior à prevista para 2015, possivelmente algo entre 2% a 3% de queda no PIB.

Em 2016 estaremos menos sujeitos a variáveis econômicas como inflação, câmbio, taxa de juros, etc., porém, estaremos muito mais expostos às questões políticas, e isso, infelizmente, não é nada animador. Os resultados da economia serão proporcionais aos problemas gerados pelas disputas internas no próprio PT e entre o PT e seus aliados (em especial o PMDB), pela ação da oposição na tentativa de obter o impeachment da presidenta Dilma, pelos desdobramentos da Lava Jato e de outras investigações (que serão muitas), e principalmente pela prévia da disputa presidencial, que ocorrerá nas eleições municipais, no segundo semestre de 2016. Portanto, é impossível prever os desdobramentos políticos sobre a economia.

Lembre-se que o Brasil está vivenciando uma grave crise de confiança, e caso investidores, empresários, executivos e consumidores não enxerguem boas perspectivas adiante, assistiremos a mais capítulos desse filme de suspense e de terror.

O Governo tem falhado nas reformas estruturais e no ajuste fiscal, e isso, somado às sucessivas trapalhadas de nossos representantes políticos, poderá, em um extremo da curva, produzir um ano pior que este que está terminando. Mas, acredito que existirá bom senso por parte da classe política, muito em função da pressão popular, e que isso produzirá um impacto menor que o estimado pelos pessimistas e apocalípticos.

Como isso deverá afetar a área de logística e transporte, tanto junto aos Embarcadores e aos Prestadores de Serviços Logísticos?

No caso de uma recessão dentro daquilo que é estimado pelo mercado, ao redor de 2% a 3%, continuaremos sendo pressionados por melhores resultados, já que as vendas insistirão em permanecer abaixo das perspectivas, com um leve a moderado aumento de custos. Nesse cenário, Embarcadores serão cobrados a colocar em prática um plano B, para aqueles que não o fizeram em 2015. Para quem já fez a lição de casa, será necessário descer mais alguns degraus, e buscar novas alternativas. Para algumas Transportadoras e Operadores Logísticos poderá ser um ano positivo, especialmente para aquelas posicionadas com soluções de baixo custo e com uma força de vendas agressiva e bem orientada estrategicamente; para as demais, será mais um ano sofrido.

Em um cenário pessimista, de paralisação do país em função das disputas políticas, a economia sofrerá com novas perdas, deteriorando ainda mais os resultados das empresas, sem poupar qualquer um dos setores, em especial indústria e serviços. Nesse caso, novas demissões ocorrerão e a necessidadede enxugar a estrutura ditará a rotina dos Embarcadores e das Transportadoras e Operadores Logísticos. Esperamos que não, mas caso essa hipótese se concretize, teremos que colocar em pratica o plano C, D e E. Para um prestador de serviço logístico isso significará o fechamento de filiais, a desativação de rotas de transportes, o declínio de Clientes com o encerramento unilateral de contratos, a venda de ativos, etc. Para o Embarcador significará claramente a busca por alternativas mais radicais, como reassumir a operação de seu armazém, passar a contratar diretamente seu rol de transportadoras, voltar a conduzir processos de importação e exportação, substituir parceiros por opções muito mais econômicas, centralizar operações, etc. Muitas empresas, em ambos os lados, já fizeram isso ao longo de 2015, e nesse caso, precisarão buscar novas oportunidades de redução de custos. Não será fácil encontra-las.

Redução de custos será a temática de 2016, como já foi em 2015. O que vai mudar em 2016 é com que nível de desespero isso será perseguido. Em 2015 ainda houve alguma racionalidade, cálculos e estimativas foram feitas, mudanças foram realizadas paulatinamente na maioria dos casos. Em 2016, dependendo da situação, as reduções de custos poderão ser obtidas com muita, mas muita emoção, em um cenário de vale-tudo, de cima para baixo, sem estudos ou análises prévias.

Por isso, esteja pronto. Conheça profundamente seus números, seja você um Embarcador ou uma Transportadora ou Operador Logístico. Contar com informação de qualidade será o ponto de partida para essa mais nova missão: a sobrevivência.

Mas, sigamos em frente. E rezando bastante, para que nossos representantes políticos deixem de se preocupar apenas com seus próprios umbigos e passem a agir em nome daqueles que os elegeram. E já que não ajudam, que pelo menos não atrapalhem mais.

Bom trabalho! Tenham um excelente 2016!

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