A próxima grande “fronteira” para a redução dos custos logísticos.

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística.

Reduzir custos logísticos têm se transformado em uma missão árdua para muitos profissionais da área.Por se tratar do segundo ou terceiro maior custo de uma empresa, controlar e reduzir o custo logístico tornou-se uma questão de sobrevivência e uma verdadeira “obsessão” para muitas empresas em função das margens cada vez menores, principalmente em setores como o de bens de consumo, que abrange uma vasta gama de produtos como alimentos in natura, alimentos semi processados e industrializados, bebidas diversas, cosméticos, produtos de limpeza, utilidades domésticas, etc. Outros segmentos também são afetados como embalagens, têxteis, calçados, móveis, químicos,etc.

Desde a segunda metade da década de 90, a conta frete tem se transformado no grande protagonista quando falamos em redução de custos logísticos. Ela contribuiu para o crescimento de muitas empresas e de muitos profissionais ao longo dos últimos 20 anos.

Nos últimos anos, porém, atingiu níveis preocupantes, colocando em risco uma das mais importantes e estratégicas “indústrias” da economia brasileira, a “indústria” do transporte rodoviário de cargas, que movimenta a grande maioria das mercadorias que circulam por este imenso “continente” chamado Brasil.

Existiria ainda mais espaço para “financiarmos” a competitividade das empresas através da redução dos fretes? Muitos, obviamente, dirão que sim. Eu digo que NÃO! Em muitos casos, o limite racional já foi superado, e a pretendida economia poderá se transformar em uma grande dor de cabeça, decorrente de gastos adicionais oriundos do baixo nível de serviço. O que vier daqui para frente, se vier, serão contribuições marginais, insuficientes para as empresas que buscam valores significativos de redução de custos na cadeia logística. Obviamente que essa afirmação não vale para 100% das empresas, pois ainda existem aquelas que não deixaram a Idade da Pedra, e que sequer estruturaram um setor de logística.

Insistir no frete e apostar todas as suas fichas no transporte pode ser perigoso. A mesma conta que alavancou a carreira de muitos profissionais, poderá, agora, se transformar no “atalho” para uma demissão conturbada. Basta que se comprove que a logística “colaborou” para a perda de participação de mercado ou para o aumento das reclamações de Clientes. Você já deve ter vivido aquela típica situação, na qual uma única entrega dentre outras 1.500 apresentou um problema, e isso se transformou em uma grande tragédia na empresa, movimentando os mais altos escalões da corporação. Imagine isso, agora, em uma escala maior, com várias ocorrências simultâneas, fruto de uma substituição equivocada de um determinado parceiro logístico. Assim como o Brasil, em sua história de um pouco mais de 500 anos, viveu ciclos como o do pau-brasil, da cana-de- açúcar, do ouro, do café, da borracha, etc., a logística também precisará se renovar e buscar fontes alternativas.

Se as reduções de custos via conta frete estão próximas de seu esgotamento, qual será, então, a nova fonte viabilizadora de sonhos no campo da logística?

Uma delas envolve o nível de serviço. Não é a “mina do ouro”, mas gera custos adicionais, que chegam a representar um adicional de até 30% nos gastos logísticos. São desembolsos adicionais com reentregas, processamento de devoluções, recuperação de materiais, destinação de inservíveis, estruturas de suporte ao Cliente, bonificações compensatórias, apoio jurídico, etc.

Poucas empresas se estruturaram para lidar com esse problema; simplesmente transferem a responsabilidade do baixo nível de serviço para as Transportadoras, escondendo a “sujeira debaixo do tapete”.

Tenho insistido continuamente em uma área chamada de CLS – Customer Logistics Service ou Serviço Logístico ao Cliente, que substitui as já superadas estruturas reativas de SAC – Serviço ao Cliente. Na prática, pouco tem sido feito, e as empresas continuam reagindo passivamente às sinalizações de seus Clientes. Não tardará para que percam participação de mercado, e quando isso ocorrer, não terão como atribuir à Transportadora “A” ou “B” a responsabilidade pelo seu insucesso.

Mas a verdadeira mina de ouro ainda está por vir. Está dentro de casa, imobilizando importantes recursos das empresas. Estamos falando dos ESTOQUES, que compreendem matérias-primas, semiacabados, produtos acabados, peças de reposição, suprimentos diversos, material promocional, etc. É aí que se encontra um montante gigantesco de dinheiro, ainda pouco trabalhado pelas empresas.

O tema estoques é amplo, e envolve diversos atores internos e externos da complexa cadeia de abastecimento. Reduzir estoques significa lidar com a variabilidade da demanda, com as diferentes variáveis das linhas produtivas e regras de PPCP, com o rigor do setor de Qualidade e com a insegurança do setor de Compras, que busca se proteger de eventuais tropeços causados pela base de Fornecedores. Implica também em conviver com a difícil realidade de alguns portos e aeroportos, com a falta de integração entre os modais e com a dependência das rodovias, de lidar com a Receita Federal, etc.

Não é fácil. O caminho é longo e tortuoso. É muito mais complexo do que lidar com fretes. Mas é aí que está o dinheiro. Quem souber resolver essa difícil equação se dará bem. Muito bem!

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